Imagem: Olhar Digital
Tecnologia revolucionária no tratamento neonatal
Pesquisadores da FEI e da Unifesp desenvolveram uma inteligência artificial (IA) capaz de identificar diferentes níveis de dor em recém-nascidos internados na UTI, utilizando uma combinação de análises de linguagem e imagens.
Lead
Um estudo financiado pela FAPESP, realizado por especialistas da Universidade Federal de São Paulo e da Faculdade de Engenharia Industrial, revelou a criação de uma IA que melhora a avaliação da dor em recém-nascidos na UTI. Essa tecnologia é relevante pois diminui a subjetividade das avaliações feitas por profissionais de saúde.
Contexto Geral
Historicamente, a avaliação da dor em bebês neonatais se baseava em escalas que dependiam da interpretação humana, o que poderia levar a variações significativas nas avaliações. A percepção da dor em recém-nascidos é um tema complexo, pois até a década de 1990, acreditava-se erroneamente que eles não sentiam dor devido ao seu desenvolvimento neurológico. Hoje, entende-se que, por serem neurologicamente imaturos, esses bebês são ainda mais vulneráveis ao sofrimento.
Principais Pontos do Fato
A IA desenvolvida analisa expressões faciais e dados linguísticos dos bebês, proporcionando uma avaliação precisa da dor, o que é fundamental para um tratamento adequado. A tecnologia não necessita de adaptações a cada caso, tornando-se mais eficiente em ambientes clínicos.
A professora Ruth Guinsburg, uma das autoras do estudo, ressalta que a interpretação tradicional da dor é limitada e que a nova tecnologia ajuda a mitigar esses problemas, oferecendo suporte mais consistente para a tomada de decisões clínicas.
Carlos Eduardo Thomaz, professor da FEI, destacou que a IA é baseada em modelos de linguagem multimodal, como o ChatGPT e o Gemini, que permitem o uso de dados pré-treinados para realizar análises médicas específicas de forma mais rápida.
Impactos e Consequências
A introdução dessa tecnologia pode revolucionar a maneira como a dor em bebês é gerenciada nas UTIs, potencialmente reduzindo a incidência de sequelas a longo prazo. A IA pode melhorar a qualidade do atendimento e a segurança dos procedimentos, garantindo que os recém-nascidos recebam a analgesia necessária sem a supermedicação.
Análise Técnica ou Fontes
Ruth Guinsburg explica que a dor não tratada em recém-nascidos pode ter efeitos neurotóxicos, e o desafio clínico é equilibrar a administração de analgésicos. A nova IA pode ajudar nesse equilíbrio, permitindo intervenções mais precisas.
O que muda a partir de agora
Os próximos passos incluem o aprimoramento da tecnologia para aumentar sua precisão e eficácia na identificação da dor. O desenvolvimento contínuo pode levar a uma aplicação mais ampla dessa IA em UTIs neonatais, promovendo um cuidado mais humano e centrado no bem-estar dos bebês.









