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Ações Civis Públicas Visam Proteger Comunidades Tradicionais
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou três ações civis públicas contra projetos de crédito de carbono no sul do Amazonas, alegando violações de direitos de comunidades indígenas e tradicionais, e solicitando a anulação dos créditos gerados.
Contexto Geral
Os projetos de crédito de carbono são mecanismos utilizados para compensar emissões de gases de efeito estufa, permitindo que empresas e países que reduzem suas emissões vendam créditos correspondentes. No Amazonas, o MPF identificou que projetos realizados sem a devida consulta às comunidades locais resultaram em mais de R$ 100 milhões em créditos, cuja titularidade, segundo o órgão, pertence às comunidades que habitam e preservam as áreas.
Principais Pontos do Fato
O MPF identificou três projetos principais: Unitor, Fortaleza Ituxi e Evergreen, todos localizados no sul do Amazonas, que foram implementados sem a consulta adequada às comunidades tradicionais, em desacordo com a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho.
O Projeto Unitor REDD+, localizado em Lábrea, abrange cerca de 99 mil hectares e faturou aproximadamente R$ 62 milhões. O MPF pede a devolução de 87,3% desse valor para os indígenas Kaxarari e extrativistas da região.
O Projeto Fortaleza Ituxi REDD+, também em Lábrea, ocupa 110 mil hectares e gerou cerca de R$ 26,5 milhões. O MPF solicita uma indenização de R$ 96 mil às comunidades afetadas pela falta de consulta prévia.
O Projeto Evergreen REDD+, situado nos municípios de Apuí e Novo Aripuanã, cobre cerca de 130 mil hectares e faturou R$ 11,9 milhões. O MPF pede que esse valor seja revertido integralmente às comunidades do assentamento.
Impactos e Consequências
As ações do MPF podem resultar em mudanças significativas na forma como projetos de crédito de carbono são conduzidos no Brasil, especialmente em relação à necessidade de consulta às comunidades locais. Além disso, o reconhecimento dos direitos das comunidades pode estabelecer precedentes para futuras iniciativas de conservação.
Análise Técnica
O MPF destaca que a certificação e a venda dos créditos de carbono ocorreram de maneira ilegal, desconsiderando os direitos das comunidades tradicionais. A análise enfatiza que a falta de informação e consulta impede que esses povos decidam sobre seu desenvolvimento econômico e social.
O Que Muda a Partir de Agora
O MPF espera que a Justiça reconheça a ilegalidade dos projetos e determine a devolução dos valores obtidos com a comercialização dos créditos. Além disso, as empresas envolvidas poderão ser responsabilizadas por danos morais e materiais, alterando a dinâmica de operação de projetos semelhantes no futuro.









