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Depoimento de Adam Mosseri em julgamento histórico
O presidente do Instagram, Adam Mosseri, declarou em um julgamento histórico que as redes sociais não são "clinicamente viciantes", respondendo a alegações de dependência em relação às plataformas digitais. O depoimento ocorreu no dia 11 de outubro de 2023 e Mosseri foi o primeiro executivo a testemunhar no caso que envolve a Meta e o YouTube, no qual adolescentes e procuradores-gerais estaduais nos Estados Unidos processam as empresas por suposta dependência.
Contexto do julgamento
A ação judicial foi movida por uma jovem de 20 anos da Califórnia, identificada como K.G.M., que acusa as empresas de tecnologia de desenvolver aplicativos que induzem ao uso compulsivo, comparando-os a máquinas caça-níqueis e cigarros. O processo, iniciado em 2023, inclui outras plataformas como YouTube, TikTok e Snap, além da Meta.
Posicionamento de Adam Mosseri
Mosseri, que lidera o Instagram desde 2018, defendeu a postura da empresa em relação à segurança dos adolescentes, afirmando que, embora as redes sociais possam causar danos, isso não implica em dependência clínica. Ele comparou o uso excessivo das redes a um apego a séries de televisão, enfatizando que isso é distinto de um problema médico grave. Mosseri também comentou sobre o equilíbrio necessário entre segurança e liberdade de expressão.
Defesa e acusações
A defesa das empresas argumenta que não há evidências científicas que provem que suas plataformas causam dependência. Eles também citam uma lei federal que as isenta de responsabilidades por conteúdos gerados por usuários. Na abertura do julgamento, o advogado da autora, Mark Lanier, descreveu os aplicativos como "cassinos digitais", utilizando documentos internos da Meta e do Google que sugerem uma comparação com a indústria do tabaco.
Posição da Meta e do YouTube
A Meta alegou que os problemas de saúde mental da jovem K.G.M. foram causados por abusos familiares, e não pelo uso das redes sociais. A empresa apresentou prontuários médicos para sustentar que a dependência digital não foi um foco nas sessões de terapia. O YouTube, por sua vez, reafirmou que não se considera uma rede social e que suas funcionalidades não foram desenhadas para gerar vício.
Questões levantadas durante o depoimento
Durante o depoimento, Lanier questionou Mosseri sobre a utilização de filtros de beleza e a rolagem infinita dos aplicativos. O advogado também trouxe à tona a antiga filosofia da Meta, "Move fast and break things" (mova-se rápido e quebre coisas), contrapondo-a a novas diretrizes de segurança. Mosseri comentou que a empresa agora adota um lema diferente, enfatizando a segurança e a responsabilidade.
Impactos e desdobramentos possíveis
O resultado do julgamento poderá gerar indenizações significativas em processos semelhantes e potencialmente forçar as empresas a revisar o design de seus aplicativos. A decisão pode impactar a forma como as plataformas interagem com seus usuários, especialmente os mais jovens, em relação à segurança e ao uso responsável.









