Imagem: portal g1 AM
Cemitério São João Batista transforma-se em cinema a céu aberto
Na noite de sexta-feira, 15 de setembro, o Cemitério São João Batista, localizado na Zona Centro-Sul de Manaus, foi o cenário inusitado para a estreia do documentário "Etelvina – A Ressignificação da Tragédia". Este evento marcante homenageou Etelvina de Alencar, uma mulher assassinada em 1901, que se tornou uma figura popular conhecida como "Santa Etelvina" entre os devotos da capital amazonense.
Contexto histórico e cultural
Etelvina de Alencar foi vítima de um crime motivado por ciúmes, que também resultou na morte de outras quatro pessoas. Apesar da escassez de registros históricos sobre o caso, a memória da jovem permanece viva na cultura local, com seu túmulo recebendo flores e pedidos de graça de fiéis que acreditam em sua intercessão.
Principais pontos da exibição
A escolha do cemitério para a exibição do documentário trouxe um simbolismo especial, refletindo não apenas a história de Etelvina, mas também a violência contra a mulher. Cleinaldo Marinho, diretor do filme, destacou que a ideia surgiu durante suas pesquisas, onde percebeu a importância do local como um espaço de fé e memória.
Durante a sessão, uma diversidade de público, incluindo moradores, curiosos e artistas, se reuniu entre túmulos para assistir ao filme, que combina depoimentos de devotos, documentos históricos e cenas dramatizadas da vida de Etelvina.
O documentário foi produzido ao longo de dois anos e meio, com a participação de pessoas que deram seus depoimentos espontaneamente durante visitas ao cemitério no Dia de Finados.
Impactos sociais e culturais
A exibição do documentário em um cemitério histórico não apenas revive a memória de Etelvina, mas também provoca reflexões sobre feminicídio e a violência contra a mulher, temas que são relevantes até os dias de hoje. O diretor enfatizou que o filme visa estimular questionamentos sobre a construção social das narrativas e a importância da memória.
Análise e opiniões
Silvio Alencar, turismólogo que assistiu à estreia, elogiou a iniciativa de levar a exibição para o cemitério, afirmando que essa estratégia aproxima o público da história retratada no filme e contribui para o reconhecimento do patrimônio histórico local.
Próximos passos e desdobramentos
A produção do documentário, que contou com recursos do Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, abre caminho para futuras discussões sobre a violência de gênero e a valorização da memória coletiva. Embora a obra não busque respostas definitivas, ela incentiva o público a refletir sobre questões sociais relevantes e a importância de preservar histórias como a de Etelvina.









