Imagem: portal Olhar Digital
Mudança no consumo de informações no Brasil
As plataformas digitais se tornaram a principal fonte de acesso à informação para a população brasileira. Pela primeira vez, o consumo de conteúdos em redes sociais e aplicativos de mensagens superou as mídias tradicionais, como rádio e televisão, entre usuários com 16 anos ou mais.
Dados da pesquisa Painel TIC – Integridade da Informação
Os dados foram divulgados na pesquisa "Painel TIC – Integridade da Informação", lançada em 10 de outubro de 2023, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). A pesquisa analisou o comportamento de 5.250 internautas, oferecendo um panorama sobre o consumo de notícias e a desinformação no país.
O novo ecossistema da notícia
De acordo com o levantamento do Cetic.br, 72% dos entrevistados acessam informações diariamente por meio de redes sociais. Os formatos que mais impulsionam esse consumo incluem vídeos curtos (53%), sites ou aplicativos de vídeo (50%) e feeds de notícias (46%).
A pesquisa também revela que 60% dos entrevistados se informam diariamente através de aplicativos de mensagem, como o WhatsApp, superando o consumo de rádio e televisão, que atinge 58%. Jornais e revistas, tanto impressos quanto digitais, registram apenas 34% de consumo diário.
Desconfiança em relação às fontes de informação
Apesar do alto consumo digital, há uma desconfiança significativa em relação ao que é lido. Cerca de 48% dos entrevistados afirmam desconfiar "sempre" ou na maioria das vezes das notícias da imprensa tradicional, um índice semelhante para canais de vídeo e streaming (47%) e influenciadores digitais (43%).
Um dado alarmante é que 34% dos usuários concordam que "não vale a pena pesquisar se uma informação é verdadeira ou falsa", enquanto 30% não demonstram interesse em verificar informações. Esse comportamento é mais comum entre homens jovens e nas classes sociais C, D e E.
Impacto dos algoritmos e da inteligência artificial
A pesquisa também destacou a falta de conhecimento dos brasileiros sobre os algoritmos de recomendação. Metade dos entrevistados (50%) acredita que a confiabilidade de um conteúdo é o principal fator para sua popularidade online, enquanto 45% afirmam que todos encontram as mesmas informações ao pesquisar na internet.
No que diz respeito à inteligência artificial, 47% dos internautas afirmaram ter usado chatbots como o ChatGPT. No WhatsApp, 38% dos usuários que acessam a plataforma apenas pelo celular utilizam sua ferramenta de IA, e 41% relatam contato diário com deepfakes.
Reflexões e próximos passos
Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, enfatiza que os resultados da pesquisa mostram que o combate à desinformação requer políticas públicas baseadas em evidências. Ele destaca que a pesquisa visa promover reflexões sobre o tema, mapeando as dinâmicas informacionais dos brasileiros e suas práticas de acesso e verificação de conteúdos.
Desdobramentos futuros
A partir dos resultados, espera-se que autoridades e instituições desenvolvam iniciativas para melhorar a educação midiática e a verificação de informações, além de fomentar um ambiente digital mais seguro e confiável para os usuários.








