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Cesárea aumenta risco de câncer de placenta, revela estudo da UFRJ

Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

Estudo revela relação entre cesárea e neoplasia trofoblástica gestacional

Uma pesquisa da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) demonstra que mulheres que passaram por cesárea têm 45% mais chances de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um câncer raro ligado à placenta.

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Pesquisadores da UFRJ identificaram um aumento significativo no risco de câncer de placenta entre mulheres que tiveram cesarianas, com a pesquisa abrangendo dados de quase 3.000 pacientes atendidas entre 2002 e 2022, destacando a relevância do achado em um país com altas taxas de cesárea.

Contexto Geral

A neoplasia trofoblástica gestacional, uma complicação da mola gestacional, ocorre quando a fertilização anômala resulta em uma placenta disfuncional. No Brasil, a incidência é de um caso a cada 200 a 400 gestantes, com cerca de 2,9 mil registros de neoplasia por ano, evidenciando a importância de entender os fatores de risco associados à cesárea.

Principais Pontos do Fato

1. O estudo foi conduzido pela Maternidade Escola da UFRJ, que possui um dos maiores centros de pesquisa sobre mola gestacional do mundo, atendendo cerca de 80 pacientes semanalmente.

2. A pesquisa analisou dados de 2.904 pacientes, comparando aquelas que já tinham feito cesárea (468 mulheres) e aquelas que não (83,9% sem histórico de cesárea).

3. Entre as mulheres que passaram por cesárea, 26,5% desenvolveram câncer de placenta, em comparação com 20,8% das que não tinham esse histórico.

4. A principal hipótese dos pesquisadores sugere que o corte no útero durante a cesárea pode afetar o sistema imunológico e facilitar o crescimento de células trofoblásticas.

Impactos e Consequências

Os achados do estudo levantam preocupações sobre a alta taxa de cesarianas no Brasil, que chega a 55%, muito acima da recomendação da OMS de 15%. Isso pode levar a um aumento na incidência de neoplasia trofoblástica, além de outras complicações associadas ao parto cesáreo.

Análise Técnica ou Fontes

A coordenadora do estudo, Gabriela Paiva, enfatiza a necessidade de abordar a cesárea de forma consciente, considerando suas potenciais consequências a longo prazo. O coordenador do ambulatório, Antônio Braga, reforça a importância de uma discussão sobre os riscos adicionais que a cesárea pode acarretar para a saúde das mulheres.

O que muda a partir de agora

A pesquisa indica a necessidade de revisões nas práticas obstétricas, com possíveis mudanças nas diretrizes para a realização de cesarianas. Além disso, sugere-se que uma redução da taxa de cesáreas no Brasil poderia evitar cerca de 177 casos de câncer de placenta por ano, destacando a urgência de uma abordagem mais consciente e informada sobre o parto cesáreo.

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